Fio B em 60% em 2026: o que muda para quem protocola agora
Você vende sistema solar ou projeta para quem vende. Em 2026 a conversa sobre Fio B deixou de ser teoria. A parcela que não é compensada subiu, e ela vale para o projeto que você protocola hoje. Este texto reúne o que já está definido, o que ainda está em aberto e o que muda na sua rotina.
O calendário do Fio B
A Lei 14.300 criou uma transição. A parcela do Fio B que não é compensada aumenta a cada ano, para sistemas protocolados depois de 07/01/2023:
- 2026: 60%.
- 2027: 75%.
- 2028: 90%.
A regra está no art. 27 da lei. Quem protocolou antes de 07/01/2023 mantém a isenção até 2045. Por isso a data do protocolo virou um dado do projeto, não um detalhe de cadastro. Ela decide qual regra vale para aquela usina durante anos.
E depois de 2028?
A regra definitiva de 2029 ainda não existe. O que existe é um cronograma: a ANEEL deve entregar a metodologia de custos e benefícios da geração distribuída até 31/12/2028. Até lá, qualquer número para 2029 é suposição.
Na prática, isso pede cuidado na proposta. Se você promete um retorno que depende de uma regra que ainda não foi escrita, o risco fica com você. Mostre ao seu cliente o que está na lei e diga com clareza o que depende de decisão futura.
O que a Lei 15.269/2025 mudou
Sancionada em 24/11/2025, a Lei 15.269 é a conversão da MP 1.304. Para quem trabalha com geração distribuída, estes pontos importam:
- A CDE passa a custear, desde 01/01/2026, as componentes que a GD II e a GD III não pagam.
- Nasce o ECR (Encargo de Complemento de Recursos), com teto da CDE a partir do orçamento de 2027. Esse mecanismo pode reduzir benefícios da geração distribuída.
- O REIDI para solar passa a exigir baterias.
- O Executivo pode zerar o imposto de importação de sistemas de armazenamento com baterias.
- Foi vetada a migração de usinas do mercado livre para a geração distribuída.
Leia essa lista com a atenção de quem faz conta. O teto do ECR ainda depende do orçamento de 2027, então o efeito real só aparece quando o número sair. O sinal, porém, aparece em vários pontos da lei: baterias ganham espaço.
O que muda para quem protocola agora
Uma publicação do setor resumiu o momento no título: o Fio B chega a 60% em 2026 e acelera a transição para sistemas híbridos. A leitura que fazemos dessa transição é prática:
- Dimensione olhando o consumo simultâneo. É a nossa leitura do que o cenário novo pede. Não é promessa de economia: cada projeto precisa da própria conta.
- Pense em híbrido desde a proposta. Com o REIDI exigindo baterias e o imposto de importação podendo cair, vale deixar o sistema pronto para receber armazenamento, ou ao menos conversar sobre isso.
- Registre a data do protocolo. Ela define a regra aplicada, como você viu no calendário acima.
Conferência rápida antes de enviar
Antes de protocolar, confirme estes itens com a mesma atenção que você dá ao dimensionamento:
- A data prevista do protocolo e o regime do Fio B que ela implica.
- A proposta comercial: ela cita o percentual do ano e deixa claro que 2029 está em aberto?
- O que o seu cliente realmente consome na hora em que o sistema gera.
- Se há espaço no projeto para uma bateria futura.
Nenhum desses pontos exige software novo. Exigem hábito. Quem cria o hábito de conferir antes de enviar perde menos tempo depois, quando um erro de data ou de enquadramento transforma uma venda fechada em conversa difícil.
Perguntas que o seu cliente vai fazer
"Meu vizinho paga menos, por quê?" Provavelmente por causa da data. Quem protocolou antes de 07/01/2023 mantém a isenção até 2045. Quem protocola agora entra na escada de 60%, 75% e 90%.
"E se a regra mudar?" Para os próximos anos, o calendário da lei vale. Para 2029, a regra ainda será construída, com metodologia da ANEEL até 31/12/2028. Diga exatamente isso. Uma resposta honesta custa menos do que uma promessa que precisa ser corrigida depois.
"Vale a pena esperar?" A escada sobe a cada ano, e o protocolo é o que fixa a regra do sistema. Mostre a conta com o percentual de 2026 e deixe a decisão com quem vai pagar a fatura.
Resumo
O Fio B está em 60% e sobe para 75% em 2027 e 90% em 2028. Quem protocolou antes de 07/01/2023 tem isenção até 2045. A regra de 2029 é uma incógnita com prazo para ser resolvida: 31/12/2028. A Lei 15.269 mexe em custeio, encargos e incentivos, e vários pontos da lei falam de baterias. Trate a data do protocolo como dado do projeto e escreva propostas que não prometam o que a lei ainda não disse.
Fontes
- pv magazine Brasil: Fio B chega a 60% em 2026 e acelera transição para sistemas híbridos (06/01/2026)
- Portal Energia Limpa: ANEEL define cronograma para revisão da metodologia de custos e benefícios da GD (04/12/2025)
- APER: Nova Lei 15.269/2025 moderniza o setor elétrico (sobre a lei de 24/11/2025)
- Replace Consultoria: impactos da Lei 15.269/2025 sobre a GD (16/12/2025)
- Diário Oficial da União: Lei nº 15.269, de 24 de novembro de 2025 (24/11/2025)
